
A liquidação extrajudicial do Will Bank pelo Banco Central deixou milhares de clientes sem acesso a contas e cartões. Lucas Girão, economista e especialista em investimentos com MBA em Finanças pela FBNF, esclarece o que muda na prática.
Conta parou de funcionar
Com a liquidação, o Will Bank saiu do Sistema Financeiro Nacional. Portanto, todas as operações foram interrompidas.
“O cliente deixa de conseguir fazer transferências, Pix ou pagamentos”, explica Girão. Além disso, o acesso ao aplicativo fica indisponível ou bastante limitado.
Na prática, você não consegue mais usar a conta para nada enquanto o processo se organiza.
Saldo ficou travado: como recuperar
A notícia mais impactante é clara: você não consegue movimentar o dinheiro. “Os saldos ficam bloqueados no momento da liquidação”, afirma o economista. Clientes do banco já compartilham prints mostrando contas travadas.
Até R$ 250 mil: FGC garante
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) protege valores até R$ 250 mil por CPF. Dessa forma, quem tinha saldo dentro desse limite consegue reaver o dinheiro.
“O cliente deve solicitar o ressarcimento diretamente ao FGC, normalmente por meio do aplicativo do fundo”, orienta Girão.
Exemplo: Maria tinha R$ 180 mil em conta. Como está dentro do limite, ela recupera tudo pelo FGC.
Acima de R$ 250 mil: processo mais longo
Já quem tinha mais de R$ 250 mil enfrenta um cenário diferente. O valor excedente entra no processo de liquidação.
“Valores acima do limite garantido só poderão ser recuperados, parcial ou totalmente, ao longo do tempo, conforme o rateio entre credores”, esclarece o especialista.
Exemplo: João tinha R$ 400 mil. Ele recebe R$ 250 mil do FGC rapidamente. Porém, os outros R$ 150 mil podem demorar meses ou anos para voltar.
Cartão não funciona mais, mas dívida continua
Os cartões do Will Bank pararam de funcionar imediatamente após a liquidação. “As bandeiras tendem a suspender a aceitação imediatamente, impedindo novas compras”, confirma Girão.
Entretanto, aqui está o ponto crucial: suas compras anteriores continuam valendo.
“As faturas já geradas e os gastos realizados antes da liquidação continuam válidos e devem ser pagos pelo cliente”, alerta o economista. Ou seja, a liquidação não apaga sua dívida.
Exemplo: Carlos usou o cartão no dia 10 de janeiro. A liquidação saiu no dia 15. Mesmo assim, ele precisa pagar essa fatura.
Como pagar as faturas em aberto
As faturas continuam como sua responsabilidade. Contudo, pode haver dificuldade temporária para acessar boletos.
“O que pode ocorrer é uma dificuldade operacional temporária para acessar boletos, faturas ou o aplicativo”, explica Girão.
Essas dívidas passam para o liquidante nomeado pelo Banco Central. Posteriormente, ele pode cobrar diretamente ou vender sua dívida para outro banco.
“Essas dívidas passam a ser administradas pelo liquidante, que poderá organizar a cobrança direta ou vender a carteira de crédito para outra instituição financeira”, completa o especialista.
Portanto, fique atento aos comunicados oficiais sobre novos canais de pagamento.
O que fazer agora
Se tinha saldo em conta: Acesse o aplicativo do FGC e solicite o ressarcimento. Assim, você recupera valores até R$ 250 mil.
Se tinha cartão com dívidas: Guarde comprovantes de pagamento e aguarde orientações do liquidante sobre como quitar as faturas.
Em ambos os casos: Mantenha seus dados atualizados para receber comunicados. Além disso, fique atento apenas a canais oficiais para evitar golpes.
Por Beatriz Zago / Bpmoney