quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Maioria da população brasileira, negros receberam 23% das vacinas contra Covid-19

 

Maioria da população brasileira, negros receberam 23% das vacinas contra Covid-19
Foto: Rodrigo Nunes/MS

Apesar de reunir a maior parcela da população brasileira, os pretos e os pardos receberam somente 23% das doses da vacina contra a Covid-19. Foram, ao todo, 63,8 milhões aplicadas, do universo de 270 milhões de unidades já administradas. Os dados foram expostos em reportagem do portal Metrópoles.

 

Os pretos receberam 11,4 milhões de doses, o que representa 4,3% do total da campanha. Outras 52,4 milhões foram aplicadas em pardos — 19,9% do total. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), juntas essas raças representam 54% da população nacional.

 

O ranking é composto, ainda, pela vacinação da população branca, que recebeu 95 milhões de doses (36%); amarela, com 37,1 milhões de doses aplicadas (14%); e indígena, que recebeu 671 mil doses (0,3%). A matéria ressalta a incongruência no volume destinado a quem se autodeclara como amarelo, muito superior ao percentual da população brasileira assim classificada no IBGE – 1,1% do total.

 

A desigualdade na aplicação das vacinas anti-Covid pode, no entanto, ser diferente – até maior. O problema é que, na prática, o governo federal não conhece a realidade das aplicações por raça/cor. O Ministério da Saúde não tem registro de raça sobre 25,6% das doses aplicadas – em problema que ocorre porque as unidades federativas falham ao alimentar o banco de dados nacional. Esse universo engloba 67,5 milhões de unidades da vacina.

 

Essa lacuna de informações compromete o monitoramento da campanha e dificulta eventuais ajustes para equilibrar a aplicação.

 

Os dados foram analisados pelo Metrópoles, com base em material publicado pelo LocalizaSUS, plataforma de registro de informações do Ministério da Saúde referente à pandemia, e consideram lançamentos disponibilizados até segunda-feira (25/10).

 

Os dados da plataforma são inseridos pelos municípios. Em seguida, são compilados por cada Unidade da Federação e registrados na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), plataforma nacional que centraliza informações do Sistema Único de Saúde (SUS).