
Foto: Marcos CorrĂȘa/PR
O ministro Paulo Guedes (Economia) indicou que a proposta de reforma administrativa, a ser enviada pelo governo, deve prever diferentes perĂodos para que um servidor pĂșblico consiga a estabilidade. O prazo variaria de acordo com a carreira. PrĂłximo passo no plano para controlar as despesas pĂșblicas, a proposta visa reestruturar as regras para o funcionalismo pĂșblico, segundo maior gasto do Orçamento federal.
Em evento nesta quinta-feira (7) no TCU (Tribunal de Contas da UniĂŁo), o ministro ressaltou que a reforma nĂŁo vai afetar quem jĂĄ ingressou no serviço pĂșblico. "Vamos valorizar extraordinariamente quem jĂĄ estĂĄ [na carreira], os prĂłximos [servidores] vĂŁo ter que passar por filtros meritocrĂĄticos", disse Guedes. A ideia, segundo ele, Ă© que a estabilidade -caracterĂstica do funcionalismo- seja alterada. Mas a dosagem vai ser negociada com os ĂłrgĂŁos pĂșblicos.
Como exemplo, o ministro citou que um policial federal teria que trabalhar trĂȘs ou quatro anos para adquirir a estabilidade, enquanto um servidor da ĂĄrea administrativa ou, como diz ele, "carimbador de papel", teria esse direito apĂłs dez ou 15 anos no cargo. Outra proposta da equipe econĂŽmica Ă© a redução do nĂșmero de carreiras, que hoje chegam a 300. Essa lista deve ser cortada "para 20 e poucas carreiras", anunciou Guedes.
A reforma visa prever salĂĄrios mais baixos para quem ingressar no funcionalismo pĂșblico. Para o governo, a remuneração de servidores, mesmo no começo da carreira, estĂĄ bem acima da mĂ©dia dos trabalhadores da iniciativa privada. No discurso, o ministro lembrou da aprovação da reforma da PrevidĂȘncia, cujo objetivo Ă© controlar a alta da principal despesa do governo: aposentadorias e pensĂ”es. AlĂ©m disso, ressaltou que os gastos com juros da dĂvida pĂșblica tambĂ©m estĂŁo em queda.
Guedes citou que a taxa Selic caiu de 7% ao ano para 5% ao ano. "E vai continuar descendo", acrescentou. Nesta semana, o governo apresentou ao Congresso o chamado Plano Mais Brasil, que, na avaliação do ministro, prevĂȘ uma grande transformação do Estado. O pacote Ă© composto por trĂȘs PECs (Propostas de Emenda Ă Constituição), que tĂȘm tramitação lenta no Congresso.
Com postura diferente da Ă©poca da proposta da reforma da PrevidĂȘncia, Guedes disse que nenhum ponto do plano Ă© inegociĂĄvel. "O Congresso Ă© soberano. Eu aprendo rĂĄpido", afirmou. No começo do governo, o ministro chegou a pedir para que os parlamentares fossem pressionados a aprovar a reforma da PrevidĂȘncia. A declaração incomodou o Parlamento.
por Thiago Resende | Folhapress