quinta-feira, 20 de abril de 2023

Shein vai fabricar 85% dos produtos no Brasil em quatro anos, diz Haddad

 

Foto: Valter Campanato / AgĂȘncia Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou, nesta quinta-feira (20), um termo de compromisso firmado com a Shein para a nacionalização dos produtos ofertados pelo gigante asiåtico em até quatro anos.
 

"Os produtos serão feitos no Brasil. É muito importante para nós que eles vejam o país não só como mercado consumidor, mas como uma economia de produção", afirmou Haddad.
 

Segundo o ministro, a Shein também se comprometeu a aderir ao plano de conformidade da Receita Federal. Em contrapartida, disse, a varejista exigiu que a regra valha para todos.
 

"Nós, obviamente, não queremos nada diferente. Queremos condiçÔes iguais para todo mundo. Segundo eles, se a regra valer para todo mundo, eles absorverão os custos dessa conformidade, não repassarão ao consumidor", afirmou Fernando Haddad.
 

O acordo foi feito nesta manhã, em reunião no gabinete do Ministério da Fazenda em São Paulo, na avenida Paulista. O presidente da Fiesp, Josué Gomes da Silva, foi o intermediador.
 

Nesta tarde, Haddad irå se reunir com o IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo). Na pauta estarå a isenção de imposto para mercadorias até US$ 50 (R$ 252).
 

O compromisso com a Shein atende ao pedido do presidente Luiz Inåcio Lula da Silva de resolver o problema da sonegação de impostos no comércio eletrÎnico de maneira administrativa.
 

Haddad disse que irĂĄ seguir "o exemplo dos paĂ­ses desenvolvidos".
 

"Eles chamam no exterior de digital taxa, um imposto digital. Quando o consumidor comprar, ele estarĂĄ desonrado de qualquer tipo de imposto. O tributo terĂĄ sido feito pela empresa, sem repassar para o consumidor nenhum custo adicional", afirmou.
 

Para Haddad, o acordo com a Shein facilita a conversa com outras empresas de comércio eletrÎnico estrangeiro, como Shoppee e Aliexpress. Estas duas jå se manifestaram a favor do plano de conformidade da Receita.
 

"Vai ganhar o comercio, a atividade econÎmica. Vamos ter geração de emprego. Estamos no caminho que me parece o justo", afirmou Haddad.
 

O ministro se encontra na semana que vem com governadores para acertar detalhes de como a tributação do varejo online serå revertida aos estados, também prejudicados pela sonegação fiscal de marketplaces nas compras internacionais entre pessoas físicas.



Por Ana Paula Branco | Folhapress