sexta-feira, 15 de julho de 2022

DPU pede medidas ao Ministério da Saúde para combater falta de remédios no país

 

DPU pede medidas ao Ministério da Saúde para combater falta de remédios no país
Foto: Divulgação

A Defensoria Pública da União (DPU) expediu, uma recomendação ao Ministério da Saúde, para que adote medidas urgentes a fim de combater a crise de desabastecimento de medicamentos no país. Na recomendação, assinada na última quarta-feira (13), o órgão pede cinco medidas em caráter de urgência. 

 

A DPU pede que a consolidação das informações sobre os medicamentos em risco ou situação atual de desabastecimento em todas as regiões do território nacional, com a elaboração de nota técnica contendo a sua listagem completa e os motivos causadores do quadro. Também  pediu ao MS para levantar a  capacidade produtiva farmoquímica, farmacêutica e biotecnológica nacional, com indicação das medidas que serão adotadas em cada caso de desabastecimento, a médio e longo prazo, para assegurar o aumento substancial da produção nacional de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), de medicamentos utilizados no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e seus respectivos insumos.

 

A Defensoria também quer a criação de um Grupo de Acompanhamento Interinstitucional com atribuição voltada ao monitoramento e formulação de estratégias de acesso oportuno aos medicamentos, de modo a reduzir a possibilidade de desabastecimento mediante a tomada rápida de decisões; e por fim, o fortalecimento de tecnologias de informação e comunicação (Internet e telecomunicações), de modo a assegurar efetiva conectividade em todas as regiões do país e possibilitar a implantação e a utilização dos sistemas de informação para a gestão da assistência farmacêutica.

 

“O acesso a medicamentos é indispensável à garantia da assistência integral. Como profissionais de saúde, estamos diretamente envolvidos neste processo, com o compromisso de prezar pela qualidade, segurança e efetividade dos resultados clínicos planejados. Diante do exposto, considerando a escassez e o risco iminente de desabastecimento de medicamentos essenciais à assistência aos pacientes hospitalizados em muitos estabelecimentos de saúde, vimos, por meio desse ofício, ratificar nossa preocupação relacionada às adversidades que a falta de alguns medicamentos tem acarretado e ainda poderá ocasionar ao processo assistencial em todo o território nacional”, destacam as entidades.

 

A Defensoria Pública da União ressalta também que a pandemia e a Guerra da Ucrânia apenas tornaram ainda mais evidente a necessidade atual de formulação de uma política concreta de investimentos para maior estruturação, material e tecnológica, do parque produtor nacional, como medida de garantia do direito constitucional à Saúde. A DPU lembra que a Política Nacional de Medicamentos já contempla diversas previsões no sentido de que o Ministério da Saúde, em ação articulada com os demais ministérios e esferas de Governo, não apenas promova a regulação dos preços dos medicamentos, como estimule a fabricação nacional de medicamentos essenciais, bem como de matérias-primas e insumos necessários à sua produção, em face do interesse estratégico para a população brasileira.

 

“O conjunto de ações e serviços de Saúde, prestados por órgãos e instituições públicas da Administração, inclui a produção de insumos e medicamentos. É um dever do Estado garantir a sua disposição à toda população e em especial às mais carentes. A DPU, na condição de instituição protetora de Direitos Humanos, atua, portanto, na defesa desse direito coletivo à Saúde”, afirma o defensor nacional de Direitos Humanos André Porciúncula, que assina a Recomendação junto à defensora regional de Direitos Humanos no Rio de Janeiro Shelley Duarte Maia.

 

“Sabemos que existe um contexto mundial de dificuldades quanto ao abastecimento de medicamentos, em virtude da pandemia e da Guerra da Ucrânia, mas este fator, ao contrário de eximir os gestores do SUS, deve propulsionar ações contundentes, que, a curto, médio e longo prazo, assegurem a todos os brasileiros o acesso aos medicamentos de que necessitem”, assevera a defensora Shelley Maia. Na recomendação, a Defensoria Pública da União solicita, ainda, que, em caso de não acolhimento, total ou parcial, das medidas recomendadas, que sejam explanados os motivos para tanto e quais são as estratégias adotadas para combater a crise de desabastecimento de medicamentos. O prazo conferido para resposta foi de dez dias.


Por BN