sexta-feira, 17 de julho de 2020

Bolsonaro minimiza desmatamento e diz que Salles fica no governo

Bolsonaro minimiza desmatamento e diz que Salles fica no governo
Foto: Antonio Cruz / AgĂȘncia Brasil
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atribuiu as críticas ao aumento do desmatamento no Brasil a uma "guerra da informação" e declarou que o assunto "não é esse trauma todo". Ele disse, durante uma live nesta quinta-feira (16), que não pretende demitir o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, alvo de críticas por conduzir uma política vista por ambientalistas no Brasil e no exterior como leniente com delitos ambientais.

"Essa guerra de informação nĂŁo Ă© fĂĄcil, nĂłs temos problemas. Por quĂȘ? O Brasil Ă© uma potĂȘncia no agronegĂłcio. Na Europa, lĂĄ Ă© uma seita ambiental, eles nĂŁo preservaram nada do meio ambiente, praticamente nada e quase nĂŁo se houve falar em reflorestamento. E o tempo todo atiram em cima de nĂłs de forma injusta. Por quĂȘ? É uma briga comercial tambĂ©m", declarou Bolsonaro, em sua live semanal transmitida nas redes sociais.

"NĂŁo Ă© esse trauma todo, essa celeuma toda que fazem contra o Brasil nessa questĂŁo", disse.

O presidente cumpre isolamento no PalĂĄcio da Alvorada desde que foi diagnosticado com o coronavĂ­rus.

Ao tratar do meio ambiente --årea em que o Brasil sofre forte pressão internacional e ameaça de fuga de investimentos--, Bolsonaro apresentou dados sobre os alertas de calor usados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) para medir queimadas nos estados da AmazÎnia Legal.

Segundo o presidente, 90% dos alertas ocorrem em ĂĄreas jĂĄ desmatadas, para limpeza do terreno, prĂĄtica difĂ­cil de ser totalmente coibida.

A retĂłrica anti-ambientalista de Bolsonaro, a onda de queimadas na AmazĂŽnia no ano passado e os prĂłprios nĂșmeros do Inpe motivam as crĂ­ticas contra o governo na ĂĄrea. A preocupação com os danos de imagem sofridos pelo Brasil levaram o vice-presidente Hamilton MourĂŁo, que lidera o Conselho da AmazĂŽnia, a realizar uma videoconferĂȘncia com representantes de fundos de investimento da Europa e do JapĂŁo. Ouviu que os estrangeiros esperam que o Brasil reduza seus Ă­ndices de desmatamento.

Segundo dados do instituto, o desmatamento na AmazĂŽnia voltou a crescer no mĂȘs de maio, completando 13 meses consecutivos de aumento em relação aos mesmos meses do ano anterior.

Para se defender das críticas, Bolsonaro citou nesta quinta que existe na legislação brasileira a chamada reserva legal, que exige a manutenção de uma årea de vegetação nativa, e também se queixou com a perda de validade da MP (Medida Provisória) 910 no Congresso Nacional.

O texto da medida ampliava em 300% as terras sujeitas Ă  regularização --um salto de 19,6 milhĂ”es de hectares para atĂ© 65 milhĂ”es de hectares. TambĂ©m estendia o prazo limite de ocupação para que terras pudessem ser regularizadas atĂ© o final 2011, o que aumentou as resistĂȘncias Ă  medida no Congresso.

A Medida Provisória foi apelidada de MP da grilagem e teve oposição tanto de partidos de centro como de oposição. Ela foi substituída por um projeto de lei.

"A MP caducou porque a esquerda ainda tem uma força muito grande no Parlamento", queixou-se Bolsonaro, que responsabilizou ainda o presidente da Cùmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pelo texto do Executivo não ter avançado.

"NĂłs somos o tempo todo acusados injustamente de maltratar o meio ambiente do Brasil", acrescentou o presidente.

Num momento confuso, Bolsonaro disse que estava previsto a assinatura de um decreto que proĂ­be queimadas no Brasil pelos prĂłximos quatro meses. Apesar de dizer que o ato normativo ainda nĂŁo foi assinado, o texto estĂĄ publicado no DiĂĄrio Oficial da UniĂŁo desta quinta.

Bolsonaro defendeu o trabalho de Salles à frente do Meio Ambiente e também investiu contra pessoas que chefiaram a pasta em anos anteriores, chamando de "xiitas ambientais" os ex-ministros Marina Silva, Sarney Filho e Carlos Minc.

O presidente endossou a fala de Salles na reunião ministerial de 22 de abril, em que o ministro disse que era preciso aproveitar a atenção da imprensa na crise do coronavírus para e ir "passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas".

"Ricardo Salles fica a nĂŁo ser que ele queira sair", declarou o presidente.


por Ricardo Della Coletta | Folhapress