
Evaristo Sá / AFP
O Brasil registrou nesta segunda-feira mais 623 mortes por covid-19 e o
total foi para 29.937 no país. Em números absolutos de casos, o Brasil é
o segundo país no mundo com o maior número de contaminações. Está atrás
apenas dos Estados Unidos, que têm 1,8 milhão, de acordo com dados da
Universidade Johns Hopkins. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou
ontem, porém, que o país e a América Latina ainda não alcançaram o
pico.
O balanço mais recente do Ministério da Saúde aponta o
total de 526.447 diagnósticos da doença em todo o território nacional,
sendo 12.247 novos casos confirmados em 24 horas. Há, ainda, 4.412
pessoas com sintomas relacionados ao coronavírus sob investigação, de
acordo com a pasta.
O Estado de São Paulo ainda lidera em número
de casos e óbitos, com 111.296 diagnósticos e 7.667 mortes. Desde ontem,
prefeitos podem começar a implementar o Plano São Paulo, anunciado pela
gestão João Doria (PSDB). Pelo plano, o Estado foi dividido em regiões e
em fases, que vão de 1 a 5, e podem começar a implementar medidas de
flexibilização e reabertura gradual das atividades econômicas a partir
da classificação na fase 2. De acordo com o governo, 90% da população do
Estado ainda está entre as fases 1 (restrição total, somente com
funcionamento de serviços essenciais) e 2 (reabertura com restrições).
Na
sequência em maior número de casos no país, o Rio tem 54.530 casos e
5.462 óbitos - e também inicia flexibilização. No Ceará, que também
iniciou um processo de liberação ontem, são 50.530 infecções e 3.188
mortes. Os números chegam no momento em que outros Estados começam a
discutir as medidas de flexibilização do isolamento social e reabertura
de setores da economia.
A OMS informou estar atenta à situação da
pandemia no Brasil e em outros países da América, como destacou o
diretor do programa de emergências da entidade, Michael Ryan. "Não
acredito que tenhamos atingido o pico, e não posso prever quando
ocorrerá, mas precisamos mostrar solidariedade aos países das Américas
Central e do Sul, da mesma forma que fizemos com países de outras
regiões. Estamos juntos e ninguém fica para trás. Se olharmos os
diferentes hemisférios, cinco dos dez países com maior número de casos
nas últimas 24 horas estão nas Américas: Brasil, EUA, Peru, Chile e
México. É uma área bastante ampla. E os países com maior aumento são
Brasil, Colômbia, Peru, México, Haiti e Argentina", disse.
Para
Ryan, os países vão precisar "trabalhar muito duro" para conter a
escalada da infecção. "Há outros países nas Américas com sistemas de
saúde fracos. Temos bons exemplos de países que envolveram todo o
governo e a sociedade. Vimos outra situação quanto à ausência e
fragilidade nessa situação. Precisamos focar na resposta que esses
países vão dar."
Hidroxicloroquina
A OMS
anunciou ainda que deve divulgar a conclusão de seus estudos sobre a
segurança da hidroxicloroquina no combate ao novo coronavírus. O ensaio
clínico com o medicamento no projeto Solidariedade (Solidarity) está
suspenso desde 25 de maio, quando a entidade se sustentou em uma
pesquisa externa, publicada na revista científica The Lancet, que
alertou para os maiores riscos de morte em pacientes que utilizaram a
droga.
De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya
Swaminathan, as novas diretrizes sobre a hidroxicloroquina se basearão
nos dados da própria organização. A atualização levará em consideração
as respostas ao medicamento observadas em pacientes do ensaio clínico.
No Brasil, a iniciativa é coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.