terça-feira, 26 de novembro de 2019

Guedes afirma que demitiria grevistas se fosse presidente da Petrobras

Guedes afirma que demitiria grevistas se fosse presidente da Petrobras
Foto: AgĂȘncia Brasil
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira (25) que, se fosse o presidente da Petrobras e a empresa fosse privada, demitiria os funcionĂĄrios que entraram em greve nesta semana. 

Segundo o ministro, é "imprudente" que pessoas usem do mecanismo de greve para conseguir benefícios em uma empresa como a Petrobras e que esses trabalhadores deveriam ter evitado e protestado contra o esquema de corrupção que, na sua avaliação, destruiu a estatal.

"Todos os sinais [econĂŽmicos] melhorando e greve na Petrobras. SĂł porque melhorou, querem greve? É empresa pĂșblica ou privada? É Estado e Bolsa. Uma greve importante, demite as pessoas e contrata outras pessoas que queiram trabalhar. Estou surpreso. Se eu fosse presidente de uma empresa... tem coisas que eu nĂŁo quero falar."

"VocĂȘ tem excelentes salĂĄrios [na estatal], bons benefĂ­cios, vocĂȘ tem quase estabilidade de emprego e tenta usar o poder polĂ­tico para tentar extrair aumento de salĂĄrio no momento em que hĂĄ desemprego em massa? Se fosse uma empresa privada e eu fosse o presidente de uma empresa privada, eu sei o que eu faria."

Em seguida, acrescentou que o governo brasileiro não estuda demissÔes nem privatização da estatal e que estava dando sua opinião como economista. No entanto, repetiu, quando questionado, que demitiria os grevistas.

"Eu estou dizendo o que eu faria, mas nĂŁo tenho nada a ver com a Petrobras. Estou dizendo que, se estou [na presidĂȘncia] de uma empresa que estĂĄ na Bolsa, Ă© privada, foi destruĂ­da e, agora que começa a melhorar, fazem greve para extrair ganhos sĂł pela pressĂŁo? Num paĂ­s que tem milhĂ”es de desempregados, vocĂȘ tem empresa quase com estabilidade de emprego, eu demitiria [os grevistas]", afirmou o ministro em Washington.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, acompanharia Guedes em sua viagem Ă  capital americana para uma reuniĂŁo do FĂłrum de Altos Executivos Brasil-EUA, mas acabou nĂŁo viajando aos EUA.

Apesar de liminar contra a realização de greve, petroleiros de bases ligadas Ă  FUP (Federação Única dos Petroleiros) pararam nesta segunda em protesto contra demissĂ”es e transferĂȘncias de empregados. A mobilização levou o ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho) a multar e bloquear contas de sindicatos.

A greve foi anunciada na semana passada e envolve 12 dos 13 sindicatos filiados à FUP. A entidade alega que a Petrobras descumpre acordo coletivo de trabalho ao promover programas de demissão incentivada e transferir empregados em negociação prévia com os sindicatos.

Na avaliação de Guedes, porĂ©m, os funcionĂĄrios querem usar de pressĂŁo para desfrutar dos "lucros extraordinĂĄrios, um dos maiores dos Ășltimos anos" da estatal. "E voltam-se ao mecanismo de sempre: vamos fazer uma greve para pegar um pouco desse dinheiro para nĂłs."

"NĂŁo sei o que houve com os salĂĄrios deles [nos Ășltimos anos], mas sei que a Petrobras foi destruĂ­da. Eles estavam trabalhando lĂĄ, deviam ter evitado a destruição da Petrobras."

Questionado sobre o baixo poder de influĂȘncia de funcionĂĄrios que nĂŁo faziam parte da diretoria da empresa --o esquema de pagamento e recebimento de propina funcionava entre agentes pĂșblicos e privados-- Guedes respondeu que "eles estavam trabalhando lĂĄ e deviam ter evitado a destruição da Petrobras."

"Se vocĂȘ Ă© um bom funcionĂĄrio, vocĂȘ luta pelas coisas certas. Por que nĂŁo houve uma greve para impedir o assalto?"


por Marina Dias | Folhapress